quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Os primeiros dias de trabalho




Os primeiros dias no Egipto têm sido passados entre o trabalho no campo e em casa. Também fizemos uma visita ao “Palácio de Apriés”, para ver como se encontrava o campo desde a nossa última temporada em Julho passado.









Depois do ritual de abertura do armazém onde a equipa portuguesa tem o seu material guardado, passou-se à lavagem e marcação do material da temporada de escavação de 2008.













Mohaksin é um dos trabalhadores egípcios que nos tem ajudado nestes dias.

Nos próximos dias começaremos a fotografar, inventariar e a desenhar o material.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Equipa portuguesa volta ao Egipto para a terceira temporada de 2009 no “Palácio de Apriés”

A terceira temporada no “Palácio de Apriés” vai ser dedicada ao tratamento de material das temporadas de escavação 2008 e 2009 (finalização). Estaremos no Museu de Mênfis, no armazém destinado à nossa equipa pelo Supreme Council for Antiquities (SCA).





A chegada ao Cairo foi como sempre emocionante! Especialmente para a Dra. Celina Claro que está pela primeira vez no Egipto.



O primeiro dia foi dedicado à limpeza e organização da casa da equipa portuguesa, na aldeia de Saqqara, a aproximadamente 6km do “Palácio de Apriés”. Amanhã é dia de ir ao Cairo para as compras semanais e no domingo recolhemos os papéis no SCA para podermos iniciar os trabalhos no campo.

quinta-feira, 23 de Julho de 2009

A segunda missão de 2009 chegou ao fim!




O trabalho da segunda missão de 2009 em Kôm Tuman foi finalizado com êxito!

Durante a nossa estada no terreno, estabelecemos uma rede de referência local para o sitio utilizando uma Estação Total. Com base nesta referência, fez-se a prospecção com o GPR criando-se uma malha inicial de 150m x 90m com um espaçamento entre os perfis de 0,50m. Foram realizados um total de 144 perfis.













Em relação ao trabalho topográfico, realizado em simultâneo com o GPR, foi topografada uma área total de 6200 m2.










Já em Portugal continuaremos com o estudo conjunto da topografia e do GPR com a finalidade de obter um mapeamento do sitio e definir prioridades de investigação para as próximas campanhas.




Voltaremos ao campo em Novembro!

terça-feira, 7 de Julho de 2009

El Amdulila

Estamos de volta ao Egipto para a segunda campanha de 2009!

Na verdade passámos por cá em Junho para a inauguração da exposição “Europe–Egypt. A Long-Lasting Archaeological Cooperation”, na qual participámos. A inauguração teve lugar no Museu do Cairo e representou um momento histórico para a egiptologia portuguesa que esteve pela primeira vez representada num evento destas dimensões. Pouco a pouco vamos construindo a nossa própria tradição em egiptologia.




Esta segunda temporada consiste numa Campanha de Prospecção por Georadar, cujo objectivo é mapear/detectar potenciais estruturas arqueológicas no subsolo. Trata-se de uma técnica não intrusiva de estudo do sítio que nos permitirá fazer um planeamento da investigação a realizar a médio-longo prazo.

Depois de algumas complicações burocráticas, conseguimos que os materiais entrassem no Egipto, em grande parte graças ao apoio incondicional que a Embaixada Portuguesa no Cairo nos facilitou.

Hoje fizemos o primeiro reconhecimento e marcações no terreno e amanhã às 6 da manhã lá estaremos...


sexta-feira, 1 de Maio de 2009

INSHA’ALLAH



Ontem, dia 30 de Abril de 2009, foi dado como concluído o trabalho de escavação efectuado pela equipa portuguesa, na estação arqueológica de Kôm Tuman (Menfis).
A escavação “encerrou” após ter-se efectuado a cobertura de toda a área intervencionada com geo-têxtil e terra. Apesar de temporário, este método é bastante usado, especialmente para tentar suster os crescentes avanços no roubo de adobe. Com efeito, os resultados dos roubos do adobe das paredes do palácio de Apriés e de outros edifícios localizados nas imediações são visíveis de ano para ano, uma vez que o adobe é usado como método artesanal de fertilização do solo pelos agricultores locais (sebahin).
Agora, segue-se o estudo de todo o espólio arqueológico recolhido durante as escavações, assim como o trabalho de desenho e respectiva tintagem. Trata-se da segunda fase da campanha, e tem como objectivo elaborar um relatório preliminar destinado ao Egyptian Supreme Council of the Antiquities.
O espólio, acomodado em diversas caixas destinadas a esse efeito, foi transferido ontem para o armazém de estudo dos materiais, onde irão decorrer os trabalhos finais, tais como o desenho a fotografia e o inventário de todo o material da temporada deste ano.
Para o bom prosseguimento dos trabalhos muito contribuíram, em primeiro lugar, os nossos trabalhadores (Ramadan Faid, Ramadan Aid, Abdel Nabi, Ramadan Gab, Mohamed Al Masri, Said Al Masri, Agag, Hassan, Hamada, Mohamsin, Wail) e o nosso Reiss Tamer Altayed (o chefe dos trabalhadores e nosso homem de confiança), a quem agradecemos.



Em segundo lugar, também queremos agradecer à Familia Altayed pelo carinho; ao Ibrahim pelo cuidado em tratar do nosso apetite- sem ele a nossa barriga queixar-se-ia, sem sombra de dúvida; às nossas famílias, porque não é fácil estar um mês fora, por isso todo o apoio telefónico foi essencial; aos nossos amigos que para saber novidades nossas, tinham de esperar ansiosamente pelo fim da tarde para visitar o nosso blog que muitas vezes foi actualizado com um olho aberto e outro fechado, devido ao cansaço.
E claro, a todos os leitores do nosso blog que deixaram comentários de apoio.
O trabalho prossegue agora no armazém…as escavações regressam em Outubro e como aqui se diz…. INSHA’ALLAH !

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

De volta ao trabalho

Os últimos dias têm sido atribulados, no bom sentido claro. Na sexta-feira tivémos a honra de participar na recepção ao Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros na embaixada de Portugal no Cairo, onde conhecemos uma pequena parte da comunidade lusa no Egipto. É sempre bom sentir que não estamos totalmente sozinhos nesta aventura.

No sábado e no domingo deu-se continuidade à remoção dos (inúmeros!) derrubes de adobe, revelando finalmente os contornos de um possível piso junto ao lado norte da porta que já havíamos referido em posts anteriores.



Muito próximo da entrada Este desta porta, identificámos e escavámos uma pequena estrutura de combustão com fundo de placa de argila com restos das paredes conservadas. Este revestimento é constituído por um grande contentor de armazenamento provavelmente partido nos extremos (E-O) formando duas paredes. A ausência total de materiais associados e facto de "cortar" as unidades mais antigas poderá significar que se trata de uma estrutura recente sobre a qual não é possível tecer mais considerações. Após o trabalho na área da escavação e de um almoço no deserto, segue-se a inventariação, marcação e fotografia dos materiais.



Hoje foi feriado nacional no Egipto - a celebração da Páscoa Copta - e aproveitámos o tempo livre para gerir alguma informação acumulada, incluido este pequeno post no blog.

Amanhã, o despertador volta a tocar às 5:30. Até lá!

quarta-feira, 15 de Abril de 2009

O adobe

Mais um dia normal de escavação no Egipto: despertador para as 5:30, chegada ao campo por volta das 7:00. Quando chegámos as marcas de passagem do Khamsin pela área eram por demais evidentes. Apesar do vento, a definição das distintas realidades começa a ser a recorrente: massas extensas de derrubes e estruturas de adobe e, fossas de maior e menor dimensão, fruto de violações recentes.

Numa dessas fossas, na zona Oeste da porta calcária, encontrava-se outro dos nossos trabalhadores, Ramadan Gab, que carinhosamente apelidamos de "toupeira". Tal facto deve-se à felicidade no olhar sempre que é destacado para áreas, ou de perigo eminente de derrocada, ou de escavação em profundidade. Na temporada de 2008 enfrentou sozinho os perigos de uma fossa/ poço com cerca de 2,40 metros de potência e cerca de 1 metro de diâmetro. Nunca se sente claustrofóbico nestas situações, antes pelo contrário: vai fumando os seus cigarros "Cleopatra" enquanto enche baldes com o sacho.
Quanto à escavação, e de momento, apenas podemos identificar os compartimentos de acesso à porta (fruto de inúmeras violações recentes), e uma grande estrutura (com cerca de 1,5 metros de largura) de orientação N-S que se adossa à porta. Este tipo de realidades já havia sido aferida por Petrie nas suas escavações no topo do Palácio em 1909, pelo que julgamos integrar o vasto complexo de ocupação palaciana e militar datado de Época Baixa. Não obstante, e à excepção da porta, esta é a única estrutura de adobe com os limites bem definidos e que nos permitiu já a identidificação de um primeiro compartimento.

Depois de decorrida a escavação entre as 7 e as 13h, iniciámos o trabalho de tratamento de materiais, com a lavagem de todos aqueles que foram encontrados na unidade superficial [0].

Peças do dia: cabeça de estrangeiro em terracota, figura zoomórfica e pequeno amuleto em faiança (Anúbis).